LABORATóRIOS

esquizo trans ex crição

!) conversa realizada no coletivo La Tintota em laboratório de intervenção no Livro Nomade

o livro, o filme, a música bem demilitados?!!!

é uma proposta esquizo. dissolução de limites entre literatura, cinema, música, teatro…arte, vida

pra romper isso “tem que” fazer um ELO

trabalhar com o sensorial rompendo esses códigos…

o grande paradoxo da escrita é esse. ela se estabelece a partir da codificação. qualquer arte plástica, apesar de ter uma linguagem, trabalha com mais fluência e facilidade com o pré-código, o pré-cognitivo, com o sensorial, com o cheiro…

a esquizofrenia já é uma outra loucura, é você tipo…

é ver o gosto da cor do cheiro da banana, sei lá..

tem um negócio aqui…. só pra organizar…desorganizar essa história, é o seguinte: a estrutura do livro é bacana , dois… no brasil até onde eu me lembro o seguinte , o Flavio e o Hélio Oiticica, com a Navi Louca, quando eles pensaram na Navi Louca, eles pensaram numa estrutura de edição que não cabia, não tinha condições. Daí eles resolveram… eu vou doar, , eu vou trazer pra cá, eu tenho um exemplar da nave louca, voce já viu?eu tenho um exemplar da Navi Louca, voce já viu? Vou trazer! Tá ?

essas questões aí que você traz e que eu acho que são extremamente pertinentes, foram pensadas, entendeu? E não foram respondidas não, agora…

Torquato dizia e deixou dito: “poeta não se faz pelo verso, é o risco, destruir a linguagem e explodir com ela” …

calma!

não eu!

mas gente, a explosão “do” Torquato , a explossão “do” Torquato com a linguagem…

acho que tem muito cuidado no processo desse barato aí que eu vou chamar de livro , no melhor sentido …

você ou quem está envolvido com isso, não deve se preocupar se isso, no final…

não sei qual vai ser o final, se vai ter…

…qual o valor do livro? Tem isso.

é o esquizofruir , a forma vai materializar…

o fulano explica melhor do que eu…passo o abacaxi pra ele…

processual

desconstrução permanente

não tem forma

formata/ des informa

reparei que as pessoas buscavam…

buscavam se imbricar a partir da leitura…

nesse curto espaço de tempo, de contato

quando entrou o desenho… quando começou a desenhar no livro e outras pessoas a partir do contato com os desenhos registrados , passaram a optar com mais frequência pelo desenho..

é isso ai

vai se retroalimentando

é um atravessamento permanente dos que escrevem com aqueles que também vão escrever…

isso que você falou do livro…

livro é superfície de registro, daí é o cinema, é o …

pode integrar tudo

vai atravessando

até a superfície

você quer um livro?

você quer um filme?

você quer um link?

você quer um não sei lá o que…

é múltiplo…

não é isso?

não é isso?

Por isso que eu falei que estava viajando no teu raciocínio

A MULTIPLICIDADE já vem com a diversidade e gera o todo

a cada um que …

se apropriar da linguagem

a cada um que se lê…

singulariza-se

o todo se torna uma singularidade, né?

uma coisa é você se apropriar da linguagem, outra é você ter a consciência do código que pode congelar o processo…

ou então fica no narcisismo do código , só olhando para o próprio código , olhando para o próprio umbigo e achando aquilo tudo muito lindo…

o foco que eu vejo…

lembrei do autor como produtor do Benjamin*, porque ele falou o seguinte, é uma conferência que na verdade não…

ele fala… depois da fotografia e do cinema…

as técnicas alteraram a produção literária então ele questiona a questão do autor, o conceito de autor. ele fala, o autor dissolveu. Esse artigo é de 35, ou antes de1930 por ai. Ele fala que a questão que se faz atualmente, isto é, na época dele , não é como a obra de arte se insere dentro das relações sociais, mas como a obra de arte se coloca nas relações sociais.

Isto é..

que uso que eu faço da técnica?

berlucci do mircha é careta, é conservador, né?ou então não.

Entendeu?

ele acabou de fazer uma exposição do plano de organização e do plano de imanência. Em que a forma …

uma arena…

a questão é do plano de organização….

se você se aprisiona num vai, não rola.

Aí, pelo plano de imanência fluxos… se você se aprisiona no livro, o livro já não é um território libertário…

deveria se chamar LIVRE.

o Livre.

como se fosse mudar o ato de escrever num ato de inscrever…

inscrição

re-imprinting na vida

você pode criar um novo mapa na tua consciência, criar um corpo para isso…

uma cartografia…é um livro cartográfico… através dele se vai lidar com o plano das subjetividades… de ser, de pensar, de sentir…

uma inscrição é como uma pintura rupestre que pode …

criar um espaço em que aquela inscrição possa estabelecer muitas possibilidades de leituras em épocas distintas, embora tenha sido criada diante de um tipo de óptica, de leitura da realidade, mas ela possibilita outras…

em cada época, em cada cultura,

reciclar aquela inscrição…

a inscrição se registra numa época que é contemporânea,não é? Porém quando você faz a releitura voce faz a releitura daquele que …

como é que chama…?

é o …

é o flaneur…

não…

é o … arqueólogo

uma arqueologia daquela inscrição

a psicanálise usa a questão da inscrição psíquica para se basear numa visão estruturalista

depende, depende..

não… vamos lá ver…vamos ver…

a inscrição psíquica-edípica é que gera essa questão estrutural no psiquismo

Lacan perguntava, o que não para de não se inscrever?

O que não pode se inscrever? O que não pode ser escrito? É a língua sem palavras…

o que não para de não se escrever…

o escrever não se dá no livro e nem na palavra… talvez o escrever esteja muito mais numa dimensão sonora, da vocalização e da vociferação…

a inscrição tem uma coisa que é das frestas e frinchas do tempo, a ação da chuva e do vento,

possibilitar a entrada por frestas nunca antes pensadas, nunca percebidas ou re-inventadas, na verdade, re-inventadas..

os fantasmas estruturais estão ai a solta…

essa semana fui vítima deles…

o negócio é o seguinte…

sabe que que é ?

tô notando que a gente tá conversando sobre a escrita e quero fazer uma brincadeira vocabular. a escrita: E S C R I T A.

agora, se você coloca “EX”,

“EX” – CRITA

o “ex” é o que está fora…

excêntrico. exceto. a ex- crita…

a esquizofrenia é uma escrita…

a gente está discutindo a escrita EX.

Não interessa se é de cabeça pra baixo, se é com ou sem isso e/ou aquilo.

o “EX”, aquilo que está fora do eixo, que está fora dos parâmetros…

EX – CRITA

pergunta

?

o ex-citante é aquilo que não se cita

?

Hahahaha

é aí. ai. entre outras coisas é isso que eu desejo ao livro:

fazer com que as pessoas se ex – citassem

mas eu acho que não não

não, não, claro

o ex- citante é aquele que excita fora dos parâmetros…

do …

é .. então ele ex- cita , fora…

o ex- citante , excita

o exitar e não o incitar

incitar processos através dos quais surge a possibilidadeas pessoas excitarem conteúdos que, costumam ficar nas entrelinhas coisas que ficam nas entrelinhas o tempo todo

e que não fiquem hesitantes!!!

incitar é que tem que dar uma cortada

essa coisa de incitar está ligado a palavras de ordem, o que é uma merda…

porque seria: desde a desordem criar novas palavras

é uma provocação da ordem , a incitação

desde a desordem criar novas palavras

incitar a desordem

incito você a provocar uma reação exatamente pra ti aniquilar

opa!

mas isso seria no caso de incitar um mocrofascismo…

E se o caso for incitar microfascismos para que ele venha a tona e se possa ser transmutado

…. desde a desordem, ou desde o caos, desde a crise criar novas palavras

a palavra excitante…

mas porque tem uma coisa de ordem? Eu não vejo

IncitAAAAAAAAAAAAAAAA rrrrrrrrrrrrrr AHHH

deixa eu ser…

incitar… é o revolucionário que vai incitar as bases.. é uma palavra marxista.

essa eu gosto, mas que é , é

não tô pregando o marxismo , só estou dizendo que incitar é uma palavra marxista.

carrega essa força

é a estética do sonho, a estética do sonho é a excitação da incitação revolucionária

excitação da incitação

ai eu não aguentooooooo …

repete

repete

EXCITAÇÃO DA INCITAÇÃO!

Deixa eu fazer uma pergunta?

Me diz uma coisa..

A incitação é uma pró- vocação?

Eu acho mais conformação sabia…

comunicação provocativa

provocação

o que você falou agora…eu pensei .. in + eu … po. In,eu

vou pra eunápolis…

eunápolis… proximo a eunápolis fica a cidade de morrire

eu na pólis e depois morrer

eu falei anapólis..

(a) napolis, numa brincadeira linguística, poderia se a não pólis

mas a-polis não é a cidade em geral, são as relações na ágora

então é o seguinte: temos ou não temos pólis?

essa é uma das questões

carrega potencial de ser pólis, muitas pólis numa urbes só mas por enquanto…

a cidade…

a polis é uma cidade republicana demais

reproduzir conceito grego…

o jardim…

acho que a gente deve oferecer soluções irrealizaveis pra melhorar nossas cidades, por exemplo, uma coisa que eu adoraria fazer… o cara ultrapassou a faixa de pedestre, entao ele tem que fazer aquela posição de yoga de plantar bananeira…

foda-se

eu falo assim, olha, eu vou falar agora e pra entender melhor fecha o olho

quero sangue

me dá o sangue

quem que vai ficar mais de 12 horas na rua esperando o IML chegar?

Tinha um programa de rádio que falava isso.. não acorde no IML

e tocava uma musiquinha. Aqui só toca o que não toca….dizia o locutor

Vamo lá… NÃO ACORDE NO IML !!!

não acorde no IML

vai ser muito desagradável pedir para alguém trazer seus óculos escuros

Notas de rodapé:

*1 Navilouca – revista de arte e poesia, marco da contracultura nos anos 70.

*2 “O autor como produtor” (1934), in Walter Benjamin, Coleção Grandes Cientistas Sociais, org. Kothe, Flavio; coord., Fernandes, Florestan. São Paulo: Editora Ática, 1991.

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